Entrevista com Vanessa Brunt -Sem Quases-


 É a primeira vez que entrevisto alguém, por isso fiquei um pouco nervosa. Eu acompanho a Blogueira/Escritora a um bom tempo, conheci o blog pelo grupo Blogueiras, Gurus & Seguidoras no Facebook. Para quem não conhece a Vanessa, ela é uma escritora com livro publicado o '' ENTRE CHAVES'', porém já está trabalhando na próxima obra, de nome ''Depois Daquilo'', e dona do blog SEMQUASES.COM
 São oito perguntas, o foco em si são nas suas obras que eu particularmente tinha muita curiosidade em saber. Foi um prazer conhecer um pouco mais dessa pessoa incrível e quem sabe inspirar vocês que assim como eu, ama escrever! Vamos para as perguntinhas?

                                                                      Entrevista


Anny Santos-  Quando você descobriu o seu amor pela escrita?


Vanessa BruntPôr os meus sentimentos em palavras foi, desde os primórdios, a forma mais tranquilizante que encontrei para desabafar e reler a mim mesma, as pessoas e o mundo. Não posso definir a idade exata (e nem o quando) em que passei a transpor os meus pesares e glórias em letras, simplesmente porque foi uma necessidade natural, foi a terapia que descobri obtendo desde cedo, a minha forma de expelir minhas verdades, sentimentos e indagações. É necessário que possamos descobrir quais maneiras temos de, a sós, conversarmos com os nossos sentimentos, com sinceridade (até porque, fazer uma arte mentindo para si ou nem falando consigo, não é fazer uma arte), seja escrevendo, compondo uma melodia, desenhando, falando com o espelho ou aderindo a qualquer forma que sinta como mais confortável. Ouvir uma música para sentir o próprio desabafo, ler um livro, ver um filme... São tipos de leituras incríveis e também necessárias, tanto quanto ter conversas mais reflexivas entre amigos. Mas é quando invadimos o nosso encontro interno que chegamos nos cernes do autoconhecimento. Acho que a caminhada maior para mim, foi a de desvendar os gêneros com os quais mais havia identificação para que eu escrevesse e, apesar de amar liberar meus sentimentos em diversos formatos escritos, sinto-me muito grata à minha própria estrada, por ter tido a clarividência de que nas poesias e nas crônicas é que mais encontro a mim (apesar de amar demais escrever ficção, mas nesse caso é hobby, e meus escritos cotidianos são exigências e emergências do meu ser). Os meus primeiros livros não foram muito premeditados (foram coletâneas com outros autores, nas quais fui a autora principal. Sempre com poemas escritos antes de raciocinar lançar algo), eles surgiram pelo impulso da minha percepção de ter descoberto quantas pessoas estavam sendo acolhidas pelos meus escritos, quantos corações estavam sendo ajudados através da identificação e quantas mentes estavam refletindo junto comigo de uma maneira que eu nunca havia imaginado. Aceitei, na época, participar de coletâneas por conta dessa sensação de ter pessoas (meus leitores) compartilhando das mesmas teses que as minhas. Isso causou uma imensa vontade de alcançar o máximo de indivíduos que eu pudesse, e fui observando que lançar livros é uma das melhores maneiras de tornar isso algo mais real, por isso compartilho, para que possamos observar que viemos sozinhos para estarmos juntos! Mas o meu amor pelos desabafos escritos foi mesmo apenas desespero interno.


Anny Santos- Seus familiares sempre te apoiaram no Blog?


Vanessa Brunt- Meus pais sempre priorizaram o papel da amizade na minha criação, a conversa foi a maior base utilizada. Então, isso gerou uma facilidade deleitosa para que eu pudesse explicitar as minhas opiniões, e assim, ouvir os seus conselhos entendendo que apesar dos tais, sou livre para fazer as minhas escolhas e, portanto, para dever também administrar as renúncias e consequências geradas a partir delas. Eles sempre souberam que eu iria escolher algo no âmbito da escrita, já que foram acostumados a me ver crescendo enquanto escrevia em diários e criava peças de teatro, colocando crianças do condomínio no elenco; além de presenciarem as minhas constantes entregas de cartas com textos e poesias diversas para quem eu considerasse importante ou para quem eu achasse que poderia estar necessitado de algum conselho de superação. Logo, o incentivo para seguir o caminho que optei foi tamanho, mas veio com alguns alardes, como o fato de ter que tomar cuidado para não esquecer de que nenhum trabalho dependente de público, ou que não assegure um diploma, é certeza de barriga cheia no fim do mês. Por isso, faço a minha faculdade de jornalismo, que também engloba portas para a área da escrita opinativa (o importante, nesses casos, é buscar complementações para o seu caminho, e não afastamento), e prossigo, em conjunto, entregue ao compartilhamento da minha arte, que faço porque faz parte de mim, porque desentala meu coração. Graças ao apoio de ambos pude entender quem sou e qual legado desejo, por isso afirmo que com ou sem o ânimo dos outros, o importante mesmo é não se permitir frustrar pela não busca de uma aspiração. Correr atrás e quebrar a cara é melhor do que viver na eterna dúvida. Pode até parecer clichê, mas é realístico e fundamental para o autoconhecimento, que é a chave mestra para a porta da gaiola.


Anny Santos- Você já está trabalhando no seu segundo livro? Pretende publicar estórias, ou você prefere contos, crônicas e poemas?



Vanessa Brunt- O segundo livro solo, de nome “Depois Daquilo”, vai lançar ainda no começo desse ano (daqui a poucos meses) e estou super ansiosa para vê-lo nas mãos e corações dos meus leitores! Ele mescla muitas crônicas e frases, com pitadas de poesias, além de conter diversas brincadeiras com a escrita de algumas palavras. Creio que é a obra, até então, que mais mostra a diversidade da minha escrita, porque contém tanto os textos de linguagem mais direta e simples, como os mais detalhistas e metafóricos. Pouco faltará no livro em relação a minha maneira de escrever, que varia, dependendo do sentimento, desde uma profundidade vocabular mais extensa, até uma direção mais presente na linguagem oral. Gosto que fique sempre claro que jamais faço uso de palavras para “impressionar” ou “enriquecer”, assim como não costumo manipular meus textos e poesias, modificando algo após finalizar o escrito. Acho desnecessários ambos os tipos de feitos. Coloco a verdade acima de tudo, e para ser sincero, precisa ser livre de tentativas para agradar uma totalidade ou engrandecer além do sentido. Respeito os meus desabafos e leituras de mundo e, por isso, deixo que eles possam ir para todos os cantos da maneira com que saíram de mim, seja com um neologismo, seja mais curto, mais longo, de uma forma mais simples ou de uma maneira mais distante do usual. Cada vírgula é natural, cada ponto é sem esforço. E o Depois Daquilo mostra, justamente, essa variedade dos meus desembaraços, sendo diferente do Entre Chaves e das coletâneas mais antigas, que explicitam com um enfoque maior, as minhas poesias mais estruturais, que podem ser vistas como de cunho mais rebuscado, porém, obviamente, captam tanto quanto, os meus sentimentos à flor da pele do momento descrito. O mais bacana sobre o próximo livro, é que reúne desabafos de questões muito recentes da minha vida, enquanto o Entre Chaves tem escritos bem antigos, feitos desde, aproximadamente, os meus 13 anos. Então, os leitores carregam o meu passado em mãos, e agora vão carregar meu presente.
Sobre lançar livros de estórias: Os meus escritos cotidianos são, de fato, minhas crônicas e poesias. As escrevo por necessidade, por impulsos do precisar. Mas tenho um amor imenso também por criar contos e estórias em paralelo, vez ou outra, que denotem frutos dos meus desejos mais utópicos. Sou apaixonada pelo universo místico e adoro pensar no fato de que a magia existe. Existe dentro das nossas escolhas, da nossa força de fazer coisas incríveis por outro ser humano e por nós mesmos, de provar que o impossível é apenas um caminho ilusório para a distância do que ainda não conseguimos alcançar. Então, resumindo, sim! Tenho muita vontade de lançar, futuramente, livros de ficção. Inclusive, venho trabalhando em um pelo qual estou cada vez mais apaixonada e envolvida. O problema é que escrever um poema ou uma crônica, para mim é tiro-e-queda. É "sento e desabo", respeitando o que senti e o que saiu através dos meus sentimentos. Em uma ficção fico mais crítica, crio algo novo o tempo inteiro e fico achando que nunca vou terminar, porque sempre vou ter alguma nova criação dentro daquela estória... É um universo inteiro e infindável para desvendar. Então, agora estou focada no que sempre vou escrever, que são meus textos e poemas, mas afirmo que pode vir, em breve, algo nessa linha mais imaginativa.


Anny Santos- Você já havia imaginado que iria conquistar tantas coisas?


Vanessa Brunt- Tudo aconteceu e tem acontecido muito naturalmente, mas, ainda assim, fico sempre boquiaberta, e é uma sensação deliciosa! Quando eu era menor, nunca pensei sequer que meus escritos sairiam dos diários, cadernos e dos documentos do meu computador para chegarem em questões de provas da minha escola e de outras tantas da minha cidade, muito menos que iriam virar livros em grandes livrarias. Como eu disse, mal tinha coragem de compartilhar esses pontos tão pessoais, mas fui, aos poucos, vendo o suporte que isso dava para quem lia, observando o quanto isso é uma troca evolutiva imensa, que sempre fará com que ambos os lados aprofunde os pensares e as sensações, encontrando cada vez mais sentido nas vivências, e então o desejo de partilhar meus desabafos veio por isso. Tudo sem forçar, mas sem deixar também de correr atrás. O que mais posso indicar para quem está sentindo que o caminho está árduo demais é que viva outras coisas que podem ajudar naquilo enquanto não abandona aquilo! Faz uma faculdade que dê suporte, faz um canal para o blog, faz um estágio diferente para chegar naquela tal empresa. Arrisca o que pode abrir alguma porta que tenha a ver!
Sobre um blog, sempre pensei em ter, porque sempre tive vontade de detalhar as mensagens dos filmes, das séries, dos clipes e de qualquer arte que eu via. Ficava triste ao ver comentários do tipo “nossa, que clipe horrível, nada a ver com a música”, enquanto era uma obra metafórica incrível, tocante, que bastava apenas que a pessoa parasse um pouco para refletir sobre os pontos implícitos, para observar a intensidade. E, depois de um tempo, mais exatamente há quatro meses atrás, resolvi logo começar com isso também, sem mais demoras, e aí estamos com o Sem Quases! Englobando essas análises e muito mais profundidades.
 

Anny Santos- Como foi o processo do seu livro? Foi difícil escolher a capa? E o título maravilhoso, como surgiu?



Vanessa Brunt- Quando o livro ficou com o miolo pronto, foi só alegria mesmo e, claro, ansiedade. O problema maior foi reunir os escritos antigos para a obra, não sabia o que escolher (sou péssima para selecionar os meus próprios textos e poemas dentre tantos), e para isso, pessoas próximas foram me ajudando. Sofro, por exemplo, com isso de postar frases, porque, geralmente, as minhas frases que circulam na internet são fragmentos de algum texto ou poesia que um leitor selecionou/recortou, e não sei escolher esse tipo de coisa, porque tudo para mim tem sua importância e valor, tenho carinho por cada um e críticas construtivas sobre todos. Mas, de resto, até em relação à diagramação do livro, foi tranquilo. Eu já sabia como queria a capa, fiz um desenho com a metáfora (sou péssima para desenhar, imagina a coisa abstrata que ficou!) e descrevi para a editora. A gaiola representa a minha mente, as chaves o meu coração e os pássaros são a representação de cada sentimento que guardava lá nas profundezas das minhas gavetas internas (e externas), e que a partir do primeiro livro solo, permiti que voassem. E foi daí também que veio o nome do livro: A inspiração, assim como para tudo o que escrevo (exceto as estórias/ficção, que já abrangem criatividades e desejos mais externos), vieram das minhas próprias experiências e de situações diversas que acompanhei e que mexeram comigo de alguma maneira corpulenta. Alguns dos desabafos que guardava há anos e/ou meses nas minhas gavetas (que mesmo pessoas próximas a mim não conheciam), foram os que, aglomerados, formaram o “Entre Chaves”. Justamente por tal motivo, o nome da obra retrata o que estava, literalmente, entre chaves nos meus relicários. O livro aborda temas variados, desde os meus antigos romances, amizades, fortalezas e fraquezas, até as minhas revoltas em relação a quesitos sociais. Tudo girando em torno, como sempre ocorre em todos os meus escritos cotidianos, da minha descrição para quem sou: Transpondo desabafos em palavras enquanto houver intensidade, sou uma incurável apaixonada por metáforas, por detalhes e por sentir. Bom, recapitulando, eu já sabia sobre como queria a maioria dos detalhes internos, como seriam as metáforas imagéticas para acompanhar a ideologia da obra, etc. E a editora estava aguardando a obra antes mesmo do meu envio. Depois de selecionar os escritos, foi tranquilo. Então o que recomendo para quem quer lançar um livro: sempre deixe o miolo todo pronto antes de falar com a editora sobre o novo livro! Porque depois que estiver tudo certo com a editora, você ficar precisando reformular ele, é o maior atraso e agonia que tem!



Anny Santos- Como você se sente em relação ao seu público, provável que seus textos inspirem muitas pessoas. Tem alguma mensagem em especial para eles?



 Vanessa Brunt- Eles são maravilhosos, interativos e tão próximos. Eles conhecem tanto de mim e fazem questão de desabafar sobre os pontos de identificações que carregam com cada escrito. Eu amo essa troca, que com o blog cresceu ainda mais! É um prazer tão imenso poder receber conselhos deles e dar os meus, indo além dos meus sentimentos escritos como forma de contato. Só tenho a agradecer por tanto carinho e sempre espero que eles lembrem que dão sentido a cada um desses compartilhamentos que emito e que sempre haverá quem se identifique com eles, quem venha a ser acalentado por palavras deles, por talentos deles, assim como eles descrevem ser pelas minhas letras. Quando escrevo, desabafo e, durante esse expelir, acabo compreendendo mais sobre mim, meus sentimentos e a sociedade, como já citei. E é isso o que mais desejo que ocorra com os meus leitores: que eles possam encontrar pedaços deles dentro desses fragmentos do meu coração, passando a descobrir ou a entender melhor o que desejam, o que não desejam, o que tem como valor, o que realmente guardam de dentro para fora, etc. Quero que eles observem que nenhuma história é igual. Cada particularidade dentro de cada uma, muda todo o significado, todo o peso (que para cada um, será diferente), mas espero que ao mesmo tempo eles lembrem sempre que não estão sozinhos com suas dores e flores, que eu sinto cargas parecidas com as deles, que existe muita gente que está passando por algo parecido (ou já passou) e encontrou soluções, gostos e maneiras de seguir. É isso o que ocorre, inclusive, em casos de quando ainda não escrevi sobre algo que está começando a borbulhar em mim, e então, ouvindo uma música (lendo a letra da composição), passo, por vezes, a ir captando o que realmente está ocorrendo no meu intrínseco. E vivendo e constatando, vou digerindo e anotando. Eles são parte da força que tenho para levantar, pensando: “caramba, quando eu escrever sobre isso, alguém pode se identificar, e se alguém pode, alguém também está passando por isso ou passou. Está todo mundo vivo, então tudo bem, eu vou ficar mais forte junto com eles e isso é o que vale”. O sentido é sobre estarmos sozinhos aqui para estarmos juntos, e adoro ratificar isso.


Anny Santos- Para finalizar: se defina em duas palavras!


Vanessa Brunt- Sempre fui péssima em resumos, mas algo que eu não tenho dificuldade em afirmar é isso: Se for para eu me descrever em duas palavras, com certeza elas serão “SEM QUASES”, e esse é um dos motivos para o qual o blog leva tal nome. Um pedacinho da descrição do blog diz assim: “Nunca apreciei receber cartas com citações copiadas de algum lugar. Sempre fui encantada por presentes e palavras que portam detalhes que só os envolvidos entenderão, que não se repetirão com outros "alguéns". Originalidade é a maior chave da intensidade. Tudo aqui, portanto, sempre terá um significado, sempre juntará pedaços intrínsecos. Simbologias e metáforas estarão para todos os lados. Elas sempre estão, basta querer enxergar e analisar além (que é o que desejo que jamais deixem de fazer). Absolutamente nada será feito ou dito só por ser belo e/ou atrativo, assim como quando escrevo o que sinto. Cada frase e matéria tem uma carga de motivos, cada cor e fonte tem um porquê. O fundo estético do título tem uma "explosão" ocorrendo atrás, porque o que é "Sem Quases" vai para mais de um lado, saindo do costumeiro, do curto, do que está somente visível. Aqui, seguindo como em tudo o que cometo e planejo, é de dentro para fora, usando o externo apenas para ampliar o que houver nas profundezas. O inteiro não existe em todas as instâncias, porém por isto existe a graça de procurarmos incessantemente o que for o mais perto possível dele. O nome do blog carrega, portanto, toda essa ideia do acentuado que trago em mim. E, nitidamente, abrange também o fato de que aqui vamos falar de fatores além da minha escrita mais expelida (sem a deixar faltar), logo, estaremos indo para ângulos com ainda mais possibilidades, estaremos acrescendo caminhos, estaremos sendo, ainda mais, Sem Quases”. Então, não poderia ter definição de duas palavras que mais coubesse em mim, ou melhor, que mais transbordasse.
Adorei responder. Adorei as perguntas!

 Foi um imenso prazer conversar com a Brunt, ela é incrível e o Blog mais ainda! Espero que tenha tirado um pouquinho de curiosidade sobre o processo de publicar um livro, e enfim. Bom, não se esqueçam de conhecer o SEM QUASES. para você acompanhar a Vanessa nas redes sociais, deixarei o nome delas aqui em baixo. Espero que gostem, assim como eu!

Instagram: @vanessabrunt
Blog: SEMQUASES.COM
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                                                          Transbordo em tudo.

                           Fico onde couber.    -Vanessa Brunt                                  


 


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