Cartas esquecidas.


Me contaram que você sofre, será? Por que querido, ela sofre, chora todas as madrugas ao lembrar do seu tom de voz, das palavras esquecidas, as cartas guardadas mas ela sobrevive.
Levantou, passou pelo espelho e viu seu reflexo, será que ela é a mesma? Por fora talvez não, mas por dentro, continua a mesma romântica clichê de sempre.
Batom ali, delineador ali e lá foi ela, um dia quente em São Paulo, os prédios cinzas, as ruas silenciosas e minha companhia predileta meus fones. Tocava Regina Spektor, distraída com as ruas passando, prédios andando e pássaros  voando pelo vidro do trem, pela primeira vez, naquele dia, seu coração estava calmo, tranquilo, apenas batendo e por um dia de sorte talvez o trem estava basicamente   cheio na medida certa, numa parada perto dali, ela si lembrou daquela árvore, as folhas amarelas caídas  no chão e sua respiração acelerada, pisquei olhei e lá estava ele subindo justamente naquele trem e vindo na direção do banco ao meu lado. Gelei.
Todas as frases que eu ensaiei no espelho fugiram, as palavras que jurei não dizer, estavam quase pulando dos meus lábios cor de vermelho. E minhas mãos, quase estrelando com seus cabelos cacheados. Mas fiquei ali parada. Ele me olhou ,ficou sem ação, como si o mundo estivesse desabando e esse era nosso ultimo momento que o destino estava dando a nós.
Uma lágrima ameaçou, segurei.
-Clara?
Uma palavra me fez arrepiar como antigamente, sua voz me causava ansiedade com alegria ao mesmo tempo.
-Olá.
-Nossa que acaso!!
-A vida prega peças na gente!
-Olha, eu sei que você esta brava mas..
Interrompi sem pensar duas vezes.
-Brava? Você me deixou em 2 pedaços, um que te adiava profundamente, e outro por te querer, você não me explicou nada, só terminou,suas palavras foram sem noção e estupidas e me fizeram passar o melhor pé na bunda!!-disse quase rezando pra não chorar naquele trem.
-..Eu bebi um pouco, eu sempre vivi pra você, queria me desafia viver sem você, mas depois de alguns dias que notei a burrada, foi como si tivessem me tirado algo.. Nunca me perdoei, você não irá também.. Eu sei o que você passou te acompanhei de longe, acredite doía tanto em mim quanto em você.
Uma lágrima
duas lagrimas
-Por que você está me dizendo isso, idiota?
-Por que eu não sou corajoso como você garota, você é sensível   sem ser de mais, é linda sem exagerar na maquiagem, é uma clichê maravilhosa..
Nesse momento todas as palavras sumiram, um abraço, seu abraço, seu carinho.. E lá estávamos  nós, numa quarta feira as 10 horas num trem quase vazio agora, tentando conectar todas as linhas que foram corrompidas, vai dar certo? Não sei, mas dessa vez um sinal disso tudo tem, as cartas antigas eu deixei no trem. Para recomeçar e quem sabe reescreve  si der certo.
 Cá estou eu.

-Anny
-Anny

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